Dica

Descarte correto de lixo eletrônico: o que está em jogo vai além do meio ambiente

Todo ano, o brasileiro troca de celular, descarta um carregador velho, aposenta um roteador, um notebook que parou de funcionar, uma TV substituída por um modelo mais novo. São objetos do cotidiano que saem de cena com naturalidade, mas raramente alguém para para pensar onde vão parar depois que deixam a tomada pela última vez.


O destino desses aparelhos tem um nome técnico: resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, ou simplesmente e-lixo. E o volume que o Brasil gera todos os anos coloca o país em uma posição desconfortável no mapa global. 


Segundo o Monitor Global de Resíduos Eletrônicos 2024, da ONU, somos o quinto maior gerador de lixo eletrônico do mundo e o primeiro da América Latina, com 2,4 milhões de toneladas geradas por ano, um crescimento de 15% em apenas quatro anos, impulsionado pelo e-commerce, pela obsolescência acelerada dos produtos e pelo aumento do consumo tecnológico.


O problema não é só o volume. É que, segundo o mesmo relatório, menos de 3% desse material é descartado de forma adequada no país.


O que não aparece na conta de energia

Quando um aparelho eletrônico é jogado no lixo comum ou abandonado em um canto de casa, ele não some. Ele se acumula. E com o tempo, começa a liberar o que carrega dentro de si: chumbo, mercúrio, cádmio e retardantes de chamas bromados. De acordo com o Monitor Global de Resíduos Eletrônicos 2024, a gestão informal inadequada resultou em 58 toneladas de mercúrio e 45 mil toneladas de plástico contaminado liberados no meio ambiente apenas em 2022.


Esses compostos não ficam contidos. Eles infiltram no solo, chegam aos lençóis freáticos e entram na cadeia alimentar. A contaminação por metais pesados está associada a doenças neurológicas, respiratórias e renais, impactos documentados pela ciência há décadas, mas que o consumidor comum raramente conecta ao celular descartado de forma errada.


O cenário futuro preocupa ainda mais. Segundo o mesmo relatório da ONU, a geração mundial de lixo eletrônico cresce cinco vezes mais rápido do que os esforços de reciclagem, e a projeção é que a produção global chegue a 82 milhões de toneladas em 2030, enquanto a taxa de reciclagem deve recuar para 20%.


O tesouro que está sendo enterrado

Há outro lado dessa história que poucos conhecem: o lixo eletrônico é, paradoxalmente, uma das matérias-primas mais valiosas do planeta.


Dentro de um smartphone comum existem ouro, prata, cobre, paládio e alumínio. De acordo com a ONU, se as 62 milhões de toneladas de e-lixo geradas em 2022 fossem recicladas adequadamente, 900 milhões de toneladas de minérios poderiam deixar de ser extraídos do meio ambiente. Segundo a Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o reaproveitamento de uma tonelada de celulares pode render 3,5 kg de prata, 130 kg de cobre e 340 g de ouro, concentrações muito superiores às encontradas em minas convencionais.


Esse conceito tem até nome: mineração urbana. Em vez de escavar o solo em busca de metais, a ideia é recuperar esses materiais a partir dos resíduos que já circulam nas cidades. No Brasil, segundo estimativas da Green Eletron, maior gestora de logística reversa de eletroeletrônicos do país, apenas a reciclagem de quatro metais (cobre, alumínio, ouro e prata) presentes no lixo eletrônico nacional poderia movimentar cerca de R$ 4 bilhões por ano.


Porém, esse potencial segue largamente desperdiçado, enterrado em aterros ou queimado de forma irregular.


O que a lei diz

O Brasil não está sem regulação nessa área. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e o Decreto 10.240/2020 estabelecem a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes pelo ciclo de vida dos produtos eletrônicos, tornando obrigatória a logística reversa para esse setor.


Na prática, segundo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, existem mais de 6.250 pontos de entrega voluntária espalhados pelo Brasil, e a meta para 2025 é que o setor colete de volta ao menos 17% dos produtos lançados no mercado. Os números avançam: de acordo com a Green Eletron, em 2024 o Brasil coletou mais de 7.300 toneladas de eletroeletrônicos e cerca de 101 toneladas de pilhas e baterias, acumulando mais de 20 mil toneladas desde a fundação da entidade, há nove anos.


São avanços reais. Entretanto, quando se compara esses números com os 2,4 milhões de toneladas geradas anualmente, a distância entre o que já existe e o que ainda precisa ser feito fica evidente. A fiscalização segue sendo um dos maiores gargalos, reconhecida pelo próprio relatório da ONU como um desafio genuíno em escala global.


O que cada um pode fazer agora

A boa notícia é que o ponto de partida não exige nenhum investimento. Conforme previsto na Lei nº 12.305/2010, o consumidor final não deve pagar pela reciclagem ao entregar o material em pontos credenciados ou durante programas oficiais de coleta, o custo operacional é obrigação dos fabricantes e importadores.


Além dos ecopontos e pontos de entrega voluntária nas principais cidades, cooperativas de catadores são uma alternativa acessível e com impacto direto na cadeia de reciclagem: muitas fazem coleta gratuita em domicílio e garantem o encaminhamento correto do material. O site da Green Eletron disponibiliza um buscador de pontos de coleta por região para quem quiser localizar o mais próximo.


Mas o cuidado com o e-lixo começa antes do descarte. Prolongar a vida útil de um aparelho, com manutenção preventiva, proteção contra quedas e atualização regular de software, é, na prática, a forma mais eficiente de reduzir a geração desse tipo de resíduo. Cada substituição evitada é uma peça a menos que não vai parar onde não deveria.


Conectividade e responsabilidade andam juntas

A internet conecta o Brasil todos os dias. Celulares, roteadores, modems, televisores inteligentes, esses equipamentos são parte da infraestrutura invisível que sustenta o trabalho, o estudo e o lazer de milhões de pessoas. Cada um deles, no entanto, tem um ciclo de vida que não termina quando é ligado, termina quando é descartado.


Na BJNET, entendemos que fazer parte da vida digital das pessoas é também incentivar uma relação mais consciente com a tecnologia. Uma boa conexão serve melhor quando os aparelhos que a acessam duram mais e quando, ao final da vida útil, eles seguem o caminho certo.


Descartar corretamente é um gesto pequeno. Mas multiplicado por milhões de pessoas, ele tem o poder de transformar 2,4 milhões de toneladas de problema em matéria-prima, em emprego e em preservação ambiental.



OUTROS ARTIGOS

Fique por Dentro: Dicas e Novidades BJNET

Conectividade

Roaming: o ajuste simples que ajuda sua conexão a seguir com você

Leia o artigo completo

Conectividade

BJ Móvel: para quando a sua rotina não fica em um só lugar

Leia o artigo completo

Conectividade

O que o BJ Prime entrega na rotina?

Leia o artigo completo

 Não perca mais tempo, esteja à Frente!